10/06/2010

Proporções

Um terço
Para quem leva, pouco
Para quem dá, demais

Um para dois
Metade
Dois para um
O dobro

E não há equação
Que resolva
Essa maldita
Desproporção

Da série pessoal Poemas Mínimos.

Ato


Um lapso
De repente
Um nome
Dito
Maldito
Seja o nome
Da série pessoal Poemas Mínimos.

A Cratera


Voltemos na linha do tempo 30 mil anos. Especificamente a um país que viria a se chamar Brasil. E a uma cidade que viria a se chamar São Paulo. Nessa data, caiu do céu um asteróide. Não havia casas ou prédios por lá. É possível que não existisse gente também. Mas havia ali, uma grande mata verde, onde viviam répteis, aves e mamíferos.

Foi uma destruição só. Não sobrou um pássaro para contar a história. No lugar, formou-se uma cratera de 36 mil metros de diâmetro.

De lá pra cá, o tempo passou depressa. E muita coisa mudou. Um homem chamado Jesus nasceu em Belém. Cabral descobriu o Brasil. Padre José de Anchieta fundou São Paulo. Novas religiões surgiram. O homem inventou a luz, o telefone, a televisão, o computador, a internet e a bomba. Novos habitantes surgiram. Milhões de pessoas nasceram. Em pouco tempo, a pequena vila de São Paulo se tornaria a maior cidade do Brasil e uma das mais ricas do mundo.

A cratera ganhou um nome. Recebeu também gente, casas, ruas e miséria. Muita miséria.
Cratera de Parelheiros. Um meteoro que teve mais impacto hoje do que há 30 mil anos.
Escrevi este texto no dia que visitei a Cratera de Parelheiros, há quase 10 anos. Infelizmente, ela continua lá, exatamente como conheci.