Reunir, vibrar, encher os olhos de lágrimas, sorrir, abraçar quem estiver ao lado, ficar quieto e depois gritar, até não sair mais a voz, ganhar, perder, levar na esportiva, ser mais um num coro gigante, ver o campo virar palco, ser platéia do espetáculo, ver milhares de olhos fitando um só lugar, ser um deles, ser eles, viver no plural, pensar “Como pode ela, tão pequena, ter tantos admiradores, justo ela, que não é de nenhum, que não torce para ninguém, foi ela receber a torcida de todos, ela, que pára um estádio, que faz a multidão virar silêncio, justo ela, que está aos pés de qualquer um”.
Ponto. Acaba aí a poesia. Pelo menos, para seu Alcir. Ele, que tem pé firme nas suas razões. Esta coisinha de domingo não passa de vadiagem, bobagem para esquecer a vida, que, não há jeito, é como ela é.
Da série contos pessoais.