Ah, se tudo na vida tivesse remédio! Nunca que dona Lucinha teria feito nada de errado. Não que tenha feito muita coisa. Mas seu Oscar ainda não perdoou suas derrapadas no casamento. A primeira veio a se chamar Dorinha. Uma menina de cachos logos e canela fina, que ninguém nega ser a cara do pai, o dono da quitanda. Depois foi a vez de Dori. O filho do carteiro da cidade. Em lugar pequeno, é assim. Existe um só pra cada coisa. E uma coisa pra cada pessoa fazer. Se houvesse mais coisas pra fazer naquele lugar, talvez dona Lucinha não tivesse tempo de fazer Dorinha e Dori. Nessa ordem e seqüência, justamente como ela costuma apresentar.
Abertura do conto "Lucinha", de Guga Lemes.

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