21/02/2011

Lucinha.

Ah, se tudo na vida tivesse remédio! Nunca que dona Lucinha teria feito nada de errado. Não que tenha feito muita coisa. Mas seu Oscar ainda não perdoou suas derrapadas no casamento. A primeira veio a se chamar Dorinha. Uma menina de cachos logos e canela fina, que ninguém nega ser a cara do pai, o dono da quitanda. Depois foi a vez de Dori. O filho do carteiro da cidade. Em lugar pequeno, é assim. Existe um só pra cada coisa. E uma coisa pra cada pessoa fazer. Se houvesse mais coisas pra fazer naquele lugar, talvez dona Lucinha não tivesse tempo de fazer Dorinha e Dori. Nessa ordem e seqüência, justamente como ela costuma apresentar.

Abertura do conto "Lucinha", de Guga Lemes. 

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