Uma palavra. É o suficiente para esgotar uma vida. Quem sabe nem a palavra. Mas um pensamento. E justo ele, que tinha um pensamento tão antigo. Quando a palavra saía, pensavam: “É brincadeira ou verdade o que esse maluco está falando?”. Nelson nunca foi maluco. Também nunca brincou. Só era um pouco rígido. Um pouco, não. Bastante, é verdade. Mas não o bastante para acabar como acabou.
A família de Nelson vivia numa cidade pequena. Numa casa simples para o tempo de Nelson. Tinha sete filhas. Todas, mulheres. Eu costumava ser a do meio. Exatamente a do meio, entre as três mais velhas e as três mais novas. Tinha também a esposa, a serviçal e a cadela. Não que nenhuma das outras não pudesse ser a cadela também. Mas a cadela, em especial, era pequena e dócil, bem diferente das outras.
Trecho da crônica "Palavra", de Guga Lemes.

Um comentário:
Mais uma vez, muito bom.
Parabéns e abraço,
P.S: soube que o pequeno Panvechi já nasceu?
Postar um comentário